Mercado competitivo estabelece mais parâmetros para o novo corretor de imóveis

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Pesquisa realizada pelo Cofeci, em 2013, aponta mudanças no cenário imobiliário, com o crescimento da participação feminina e aumento da escolaridade entre os profissionais.



O mercado imobiliário está mais competitivo. Fato. É também um segmento com alta rentabilidade, segundo o diretor do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante. O atual contexto estabelece mais parâmetros para todos os atores do segmento, principalmente, para os novos corretores de imóveis. “A nossa profissão é nova, porém, é a que mais se desenvolveu nos últimos 50 anos. Ela tem um futuro com muito potencial, em termos de crescimento e negócio. É uma profissão que realmente desenvolve trabalho social importante, porque o corretor de imóveis é o responsável pela realização do maior sonho que o homem tem na vida que é a casa própria. Contudo, o profissional que está chegando agora no mercado precisa ter conhecimento e consciência de que é co-responsável pela negociação imobiliária”, aponta Cavalcante.

Como assinalou Cavalcante, a profissão vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. Atualmente, conforme dados do Cofeci, o País conta com mais de 300 mil corretores de imóveis em atividade. No Ceará, conforme o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-CE), há cerca de 10 mil corretores de profissionais exercendo a atividade. Além disso, uma pesquisa abrangente sobre os corretores de imóveis brasileiros realizada pelo Cofeci revelou que hoje há mais mulheres trabalhando como corretoras, o nível de escolaridade está cada vez mais alto e há mais profissionais autônomos. A pesquisa também apontou o aumento no número de corretores atuantes e uma mudança na faixa etária: a média, hoje, é de 46 a 55 anos.

Chama atenção o número de corretores com nível superior que chega a quase 50%, com predominância dos bacharéis em Direito e Administração, seguidos por profissionais graduados em Contabilidade e Engenharia. Um quadro que reflete a análise de Cavalcante ao falar sobre as atuais atribuições do profissional. “O corretor moderno tem que ter conhecimento de economia – nacional e do Estado onde atua-, da parte cartorial, da legislação. Tem que estudar as tendências do mercado, saber para onde a cidade cresce realmente, onde é o bom negócio, qual o futuro de crescimento da cidade. Ele tem que conhecer o plano diretor da cidade como a palma da mão, se não ele vai se perder dentro do mercado. Ele não é apenas um mero intermediário da compra e venda. Isso já acontece em grandes centros como nos EUA ou Europa, onde o corretor é um assessor de negócio. E aqui não pode ser diferente, sob pena dele não sobreviver no mercado. E o mercado você sabe é exigente, ele mesmo expurga naturalmente aquilo que não serve”, pondera Cavalcante.

NOVO PERFIL

Nos últimos dez anos, explica Fernanda de Queiroz Barroso, coordenadora da Célula de Educação Profissional do CETREDE, que oferece o curso Técnico em Transações Imobiliárias - TTI (obrigatório para a regulação da profissão), a demanda pelo curso tem aumentado consideravelmente. Desde 1992, o CETREDE atua na educação profissional de nível técnico tendo formado mais de 30 mil Técnicos em Transações Imobiliárias.  A duração mínima do curso é de aproximadamente cinco meses. “A cada seis meses habilitamos em média 800 técnicos em transações imobiliárias, porém, nem todos se cadastram no Creci. Alguns fazem o curso apenas para complementação profissional”, afirma Fernanda.

Segundo ela, o perfil dos profissionais que chegam ao mercado é bastante heterogêneo, devido à diversificação do nível intelectual e social das pessoas que buscam atuar nesta área. “O pré- requisito do curso é possuir o ensino médio, mas, em uma mesma turma temos alunos que possuem somente o 2º grau, graduados e mestres. A participação feminina em sala de aula tem aumentado bastante. Há 22 anos, nas primeiras turmas, tínhamos somente, 10% de mulheres em uma turma. Atualmente esse número tem alcançado em torno de 40%. A faixa etária também é diversificada, em uma mesma turma temos alunos entre 18 e 65 anos”, afirma Fernanda.

Silvia Regina do Carmo Sousa (foto), 45 anos, é um exemplo da nova configuração que se apresenta no mercado. Em busca de ascensão profissional e atraída pela rentabilidade prometida pelo setor, Silvia está no curso de TTI do CETREDE há quatro meses. Incentivada a fazer o curso, a vendedora de assinaturas de jornal se surpreendeu com a diversidade das disciplinas, contudo, segue otimista para a próxima etapa que é o estágio em imobiliárias. “O que me atraiu, primeiramente, foi a possibilidade de melhora financeira. Em sala de aula, os professores dizem que o mercado é amplo. Eu sei que é competitivo, mas não me assusta. Como os professores ensinam, quem for bom sempre vai encontrar um espaço. No entanto, eu sei que é uma atividade complicada, que exige mais capacitação. Agora, eu admiro essa visão que é colocada em sala de aula, de que não devemos fazer o negócio pelo negócio, e sim um negócio honesto e bem conduzido para o cliente. Estou perto de fazer o estágio e a minha intenção é focar nessa nova profissão como atividade principal”, relata Silvia.

Para Fernanda, os novos corretores formados têm capacidade para atuar no mercado atual acompanhando as mudanças constantes exigidas na atividade do segmento imobiliário. “Nesse ramo, é importante que os profissionais possuam a capacidade de atuarem em parcerias, terem um perfil voltado não só para o bom fechamento de uma venda, mas, também, compreenderem a necessidade de fortalecerem a imagem da categoria e de si próprios, atuando com seriedade, demonstrando conhecimento do mercado em que estão atuando, ampliando os relacionamentos profissionais e buscando fidelização dos clientes”, argumenta.

TRABALHANDO EM REDE

Sobreviver sozinho no mercado atual pode ser muito complicado, conforme a análise do diretor da Viva Imóveis, Paulo Angelim. Segundo ele, o novo corretor deve se articular em parcerias, seja associado a imobiliárias ou em redes de corretores de imóveis autônomos.  “É natural que no mercado mais seletivo, o cliente procure aquelas empresas que dão mais possibilidade para ele. Então, esse cliente vai atrás de uma estrutura que ofereça a ele mais oportunidades. Neste caso, os profissionais que estão associados a alguma dessas estruturas terão mais vantagens. Resumindo, hoje, ou ele trabalha associado a uma imobiliária ou trabalha em rede, porque senão ele vai ser atropelado”, alerta Angelim.

Censo mostra novo perfil do Corretor de Imóveis

O Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) divulgou, em 2013, os dados do Censo sobre os corretores de imóveis brasileiros, que realizou durante dez meses. A sondagem revelou que, atualmente, há mais mulheres trabalhando como corretoras, o nível de escolaridade está cada vez mais alto e há mais profissionais autônomos. A pesquisa também apontou aumento no número de corretores atuantes e uma mudança na faixa etária: a média, hoje, é de 46 a 55 anos. Veja, abaixo, os principais dados da pesquisa.

l Há mais mulheres ingressando no mercado como corretoras de imóveis. Hoje, 34% dos profissionais que atuam como corretores de imóveis são do sexo feminino

l Houve mudança na faixa etária: a média, hoje, é de 46 a 55 anos

l Nos últimos 10 anos, aproximadamente 60 mil corretores ingressaram no mercado de trabalho

l 72,86% dos entrevistados residem em casa própria e 78,73% possuem automóvel

l Um quarto dos corretores ganha entre R$ 1.000 e R$ 2.000, mas há aqueles que têm renda mensal superior a R$ 10.000.

l Praticamente um terço dos profissionais possui sua própria empresa imobiliária; outro terço presta seu serviço a empresas; a parte restante é autônoma.

l Cerca de metade dos corretores de imóveis tem nível superior e 50,97% têm curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) – o curso exigido para a concessão do registro profissional.

l Atualmente, bacharéis em Direito e em Administração predominam na profissão – são mais da metade dos corretores de nível universitário em atividade. Seguem profissionais graduados em Contabilidade e Engenharia.


Fonte: O estado ce