Corretor - Profissão para a vida toda

By
Há quarenta e sete anos, quando ainda era um jovem de apenas 26 anos de idade, Armando Cavalcante deixava o trabalho em uma subsidiária da Ericsson do Brasil para ser corretor de imóveis. Na época ainda não existia nada em termos de organização da profissão. 

Casado, pai de quatro filhos e formado em administração pública e administração de empresas, Armando Cavalcante assumiu, por cinco vezes, à presidência do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Ceará 15a Região (Creci – CE), órgão que ele ajudou a fundar.

Com uma experiência admirável, Armando Cavalcante exibe em seu escritório vários prêmios que mostram o reconhecimento por seu trabalho. Entre eles, o Título de Cidadão de Fortaleza, Medalha Boticário Ferreira e o Colibri de Ouro, que é a maior comenda que o Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci) dá a um filiado. 

“O Colibri de Ouro premia os profissionais mais antigos e apenas 39 pessoas, entre corretores e autoridades, foram agraciadas até hoje”, acrescenta. Com 73 anos e prestes a completar 27 anos como tesoureiro do Cofeci, Cavalcante relembra a luta para regularizar, a categoria no Estado e o que profissional deve fazer para continuar destacando-se no mercado imobiliário.

Organização da profissão

“Quando comecei na profissão não tinha nada, nem associação. Eu e mais 17 amigos tínhamos o interesse de organizar a profissão aqui, no Estado. Então eu, Helano Montenegro, Célio Cavalcante, Antônio Correia Arruda, Raimundo Nonato Farias, Valter Alves de Sousa, Luís Viana da Silveira, Raimundo Bezerra da Silva, Mário Sampaio e outros, nos unimos e fundamos uma associação que foi o início da estruturação da profissão por aqui”, conta.

A Associação cresceu e virou sindicato, cujo primeiro presidente foi o senhor Mário Sampaio que permaneceu na presidência por 12 anos. “Eu fiz a primeira ata de criação do sindicato, um momento histórico para nós que lutamos para conseguir organizar a profissão de corretor de imóveis aqui no Ceará”, acrescenta Cavalcante.

Algum tempo depois, o Sindicato passou a ser Delegacia do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis que era subordinada a Pernambuco. “Em um ano e meio, nós tínhamos mais de mil corretores filiados a Delegacia e passamos a ter renda maior do que a do próprio Recife. Então, em 1978, conseguimos autorização do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci) para fundarmos o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da 15a Região do Ceará (Creci – CE) e estamos até hoje”, relata.

Conhecimento é fundamental

Como professor do Curso Técnico de Transações Imobiliárias do CETREDE (UFC), Armando Cavalcante conta que sempre falava para seus alunos a importância de estar sempre informado sobre as novidades do Brasil e do Mundo. “O corretor de imóveis é o profissional mais eclético do mercado. Por isso ele precisa sempre estar bem informado. Todo corretor tem que ler pelo menos um jornal por dia, uma revista por semana e um livro por mês”, comenta Cavalcante que acrescenta que não tem mistérios para exercer a profissão. A fórmula é única, inspiração e transpiração.

“Inspiração, no sentido de organização, de ter um método para trabalhar e ir atrás do seu cliente, formar uma carteira de clientes. E transpiração, é suar a camisa, ralar e não deixar a peteca cair, nem as boas oportunidades passar. Fazendo isso, certamente, terá sucesso e se destacará independente do período que o mercado esteja vivendo”, ressalta.

Valorização da profissão

Segundo Cavalcante, exercer a profissão atualmente é muito mais fácil do que no início da organização da categoria. “Hoje existe uma consciência profissional. Antigamente, a profissão era mal vista e os profissionais não se valorizavam, eram vistos como picaretas, mercenários. Hoje, os corretores estão mais preparados, informados e sabem da importância que tem, pois contribuem e muito para a realização do sonho da maioria dos brasileiros, que é a aquisição da casa própria. Eu comecei em uma época muito difícil, há décadas atrás como já falei, mas posso confessar que faria tudo de novo. E não consigo parar, amo o que faço. É como um vício, um vírus que entra no sangue e não tem antídoto. É uma profissão para a vida toda”, finaliza Cavalcante.


Fonte: O Estado ce